terça-feira, 23 de setembro de 2008

Capítulo 28.

4 anos se passaram e confesso que ainda era possível encontrar um buraco no meu coração por causa da partida inesperada da Jessey.Mas a vida continou.
Já notava o crescimento das pessoas e o envelhecimento das pessoas.Milla esticou,espichou mas continuou com o mesmo brilho no olhar.David se tornou maduro principalmente porque seu trabalho cobrava tal coisa e com alguns cabelos brancos.Juan e Judie nunca mais os vi,assim pessoalmente,mas pelas fotos pareciam feito nós.E eu.Ah minha vida.Continuei dando as aulas de inglês apenas por hobbie para crianças interessadas e claro,para a minha filha,meus cabelos continuaram loiros,o olhar distante,mas a forma de modelo já ficara para trás.
Madura e ciente da vida,uma mulher,com total certeza.
Mas foi nessa total mudança,inquieta e nova que algumas características se tornaram desnecesárias,principalmente para o meu coração,que ainda maguado,mereceria um prazo maior de descanço.
Nada como eu queria que tivesse sido.
-Amor,eu ando com uma dor imensa nas costas.- uma reclamação masculina que saía da cozinha e chegou à sala.
-Nossa amor!Desde quando e por quê não me disse antes?
-Alissa,dá pra se acalmar?É só uma dor.
Três meses de dor,até eu colocar um fim nisso,com uma visita ao médico.

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-Vou pedir uns exames,mais nada preocupante certo?Não se preocupem,vai dar tudo certo.Vejo os senhores daqui quinze dias está bem?
Concordamos.
Os mais longos quinze dias da minha vida a espera de resultados tão preciosos: a saúde do meu marido!
Esperei.
Esperamos.


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-David da Costa ,por favor.- uma voz nos chamava até o consultório.
Entramos.
O cheiro da ansiedade era maior que o cheiro da experiência.Neste ponto,eu já estava roendo as unhas á espera.
-Vamos ver,vamos ver.
Abriu o lacre.
Um silêncio.
Juro que eu já estava ensaiando um texto enorme dizendo obrigado pela atenção e tudo mais,porque eu tinha total certeza dos resultados,que não acusariam nada de errado,mas os planos mudaram.
-É.David,posso falar com a Alissa em particular por favor?
Um arrepio.
Um medo.
Ele deixou a sala.
Eu,deixei a confiança.

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Capítulo 27.

Milla foi exatamente um anjo em nossas vidas.
-Mamãe,por que não troca as roupas pretas por um sorriso?Titia Jessey não iria gostar de te ver assim,machucada pelo tempo.
Ela tinha razão,primeiro a abracei e depois segui direto ao banheiro.
Um banho demorado,um último choro e uma troca.Saí de rosto lavado,e meias trocadas.
Um vestido florido agora me envolvia,e Milla,estava mais linda do que nunca.David se assustou mais tornou-se adepto a minha nova moda.
Estávamos ali,fazendo de conta de que tudo estava bem.
Juan logo após o enterro decidiu se mandar de volta pra Itália tentou fugir de todas as lembranças que os quatro cantos da vida no Brasil o trariam.
Levou com ele a bagagem,Judie que infelizmente nada entendia,e a dor da perda.
Mudar faz parte,ainda mais mudar por alguém que agora está la com Deus,na companhia do nosso Senhor.
Vou sentir falta de tudo que ela foi e fez por mim!Todos nós sentiremos.
Mas a vida continua,como tudo.
Passamos o resto da tarde montando castelinhos de areia e esperando o mar consumí-lo de uma só vez.Isso alimentava ainda mais nossa vontade de construí-lo e manter a nossa obra-prima.
Maresia,violão,risos e saudade!
Se ela tivesse nos vendo,estaria esbanjando felicidade.

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Capítulo 26.

O telefone tocou incessante,nos acordando de maneira nada agradável.
Milla reclamou um pouco,e no fundo eu também não gostei de ser acordada com essa notícia tão chocante.
Uma morte já basta.Duas já é demais!
Ontem um até logo que tornou-se o adeus menos desejável de todos,o que era para ser um encontro de amigos,se tornou o último dos encontros.Pelo menos os que envolvessem Jessey.
-Alô?
-Gostaria de falar com Alissa,por favor.- uma voz abafada que mais parecia um choro encubado.
-Eu mesma.
-Alissa,aqui é a mãe da Jessey e infelizmente não trago boas novas.
-Meu Deus!Está tudo bem com a senhora?Com seu marido?Com a .. Jessey?!- um enorme desejo que nunca ter ouvido o que ouvi.
-Conosco tudo sim,obrigado.Mas com ela..- uma pausa dramática,seguida de um sussuro e juro que pude sentir aquela gota salgada passando pelo rosto dela.- ela.. sofreu um ataque do coração ontem e infelizmente não sobreviveu.
Primeiro sentei-me e contei até dez.Depois,um grito interno,meu mesmo.
A ficha demorou para cair,e quando caiu tentei responder.
-Você está dizendo que a Jessey morreu?
-Exato. - dessa vez não conteve o choro que saiu bem de dentro do coração,agora,partido em mil pedaços.
Não contive também.
Antes de desligar ouvi as últimas palavras,como o dia e horário do enterro,o local e também o necessário para socar o telefone no gancho e chorar como uma criança abraçando David.
Ele sem entender nada chamou por Milla que não pode fazer muita coisa,a não ser chorar também.
Ela ouvira a conversa pela extensão,como de costume,e descobriu no mesmo momento que eu.Um choque para ambas pessoas que tanto amavam aquela mulher!
Acalmei-me e o contei,tentando controlar o choro.
Jamais tinha visto um homem chorar tanto!David desabou e sumiu.
Sumiu até a hora do enterro pelo menos,de roupas e óculos escuros,feito todos ali presentes.
Juan estava acabado,Milla não acreditava no que estava vendo,David manteve a vontade de gritar ali presa controlada,e eu.. ah pobre de mim.Sentei-me em um banco próximo a entrada do cemitério antes mesmo do caixão ser enterrado.
Comecei a falar.Não sozinha,mas com Deus.Recebia vibrações,que acreditando ou não,eram o mais próximo do ruído causado pelo sorriso de Jessey.
-Deus,por que a minha melhor e única amiga?Por quê?!
Dúvidas e lágrimas.Deixáva-as cair perto dos meus lábios,sentindo a salgada dor da perda.
Acostumar-me sem seu bom-humor,sem sua vontade de sonhar,sem suas piadas sempre sem-graça,sem seus conselhos nada aconselháveis mais divertidos,sem a sua presença,sem ela.
Depois fui entender que sua perda foi coisa divina mesmo.Mais tarde,iria perder alguém que sem esse preparo com certeza eu perderia a noção da vida.
Coisas da vida...

sexta-feira, 16 de maio de 2008

Capítulo 25.

Bem em cima da hora,mas acordamos!
Foi bem divertido a face de assustados que ficamos,e por final acabamos rindo de tudo isso.
Várias vezes confundimos as pernas em nossas calças,um leve tropeço no tapete da sala e tudo estava resolvido,mais risadas.
Liguei para Jessey avisando que logo estaríamos lá,e ela pareceu feliz,mesmo após as 3 horas de atraso.
Ajeitei o laço no cabelo da minha filha,e amarrei os sapatos de David que como sempre estavam invertidos.Saímos então de casa ansiosos e confesso que bastante famintos!
Jessey morava em um apartamento bem no centro do Rio,lugar bastante agradável,mais nada comparado com a nossa casinha à beira da praia.Finalmente chegamos,após vencer o incrível trânsito daquela cidade.
Lembro-me como se fosse hoje,Jessey nos recebeu sorriso e logo abraçou Milla.Por detrás dos cabelos cacheadinhos ela sussurrou algo do tipo:
"Que menina adorável,estou tão feliz por você"
Correspondi com um sorriso,largo,da orelha à orelha.
Depois ela chamou por Juan que também nos parabenizou pela linda filha que acabávamos de adotar!Todos tão felizes,até parecia um sonho,um sonho muito bom,do qual adoraria nunca ter acordado.
Jantamos.
Jessey era uma excelente cozinheira,nunca mencionei?Pois é!Cozinheira de mão cheia.
Ela acabou por mencionar a Milla sobre a nossa antiga carreira de modelo,e da forma como nos conhecemos.
Ela mantinha os olhos bem abertos durante a história toda que Jessey fazia questão de lhe contar.Milla se interessou.Bastante.
Tanto é que um dia,até resolveu sua vida,baseada nessas histórias sobre nossa juventude.
O jantar foi tão divertido,rever amigos,conhecer nossa nova filha,e lembrar do passado tão presente em nossas vidas.
Uma última golada no vinho e um adeus.
Um adeus que mais parecia um até logo,mesmo!
Depois,retornamos para nossa casinha,e antes mesmo de caírmos no sono Milla veio falar comigo:
-Mamãe.- meus olhos se enxeram de lágrimas,pela primeira vez,ela me chamou assim.
-Filha!Vem cá.- sentou no meu colo e eu aproveitei para arrumar uma mecha de seu cabelo.
-A Jessey é tão legal!Ela pode me ensinar a ser modelo também?
-Ah sua danadinha!Claro que pode,garanto que a tia Jessey será uma ótima professora!
-Eu te amo mamãe.
Se acomodou no meu colo,deitou a cabeça em meu peito,e dormiu.
Dormimos.

quinta-feira, 3 de abril de 2008

Capítulo 24.

Me diverti muito com a idéia,e tratamos logo de comunicar a diretora.
Ela ficou realmente muito contente com a decisão e foi a vez de falar com Milla:
-Olá querida.
-Profi!
-Gostaria de ter uma mãe?
-E um pai?- David logo me cortou.
-Mãe? Pai? Igualzinho todas as minhas amigas tem?
-Isso mesmo!-falamos juntos.
-Claro!
-Gostaria que nós fossémos seus pais?
Não precisei de resposta alguma,seus olhos brilharam e veio em nossa direção nos abraçar.
Abafado no silêncio do nosso abraço ela disse ainda tímida:
-E eu posso chamar vocês de pai e mãe?
Também não respondemos e beijamos suas bochechas com vontade!
Demos entrada nos papéis e logo logo ela seria nossa filha,legalmente.
Levamos ela para comprar um quartinho e conhecer sua nova casa.Foi instantâneo sua emoção ao ver que morávamos na beira do mar,em um lugar propositalmente criado para ser sussegado e aconchegante.
Ela escolheu o quarto mais lindo,cheio de coisinhas em rosa e lilás.
Tinha bom gosto,mesmo!
Liguei para a Jessey assim que ela pegou no sono e dormiu junto da nossa cama,acompanhada por David.
-Jessey!
-Amiga!
-Adivinha.
-O que?
-Adotei uma garotinha!
-Puxa!Não brinca.
-Sério garota,agora sou mamãe!
-Mais que notícia maravilhosa,me diga,quando posso ir vê-la?
-Quando quiser!
-Jantem aqui hoje,pode ser?
-Sem dúvida alguma!
-Esperarei vocês.
-Pode deixar.
Desligamos e fui me deitar junto deles.Não resisti e caí no sono.
Os três numa só cama,dividindo o cobertor,como uma família de verdade!

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Capítulo 23.

De cara consegui um emprego temporário em uma escola de inglês perto do centro da cidade,lugar muito aconchegante,adorei!
Estava bastante ansiosa para o meu primeiro dia de aula,mas confesso que nunca pensei em desistir,nunca mesmo.
O David me levou e deu um singelo beijo de boa sorte:
-Eu sei que você vai ser maravilhosa,boa sorte meu amor!
Juro que me senti muito melhor,confiante e pude finalmente após respirar fundo,entrar com o pé direito naquela nova profissão.
A diretora tradou de me mostrar todo local e finalmente me apresentou a minha nova classe:
-Alunos,essa é Alissa.Ela vai dar aulas para vocês agora.
Como em um coro todos disseram:
-Seja bem-vinda teacher.
Comecei a gostar daquela classe,de verdade.
Eram bastante aplicados e educados,porém uma menina me chamou atenção.
Beirava os 10 anos e vivia sempre quietinha,no seu canto.Sem muitos amigos ou amigas,e com um olhar triste.
Ao longo das aulas fui tentando me aproximar:
-Olá querida.
-Oi.
-Me diz,como você se chama princesinha?
-Milla.
-Nossa,que lindo nome!
-Você acha mesmo?
-Claro!Vem,vamos brincar de boneca?
Logo o sorriso mostrou realmente que o que ela mais precisava era de atenção e carinho.
Fui me apegando aquela criança adorável,e passei a ficar todo tempo possível com ela.
Em uma das manhãs a diretora me chamou:
-Alissa,precisamos conversar.
-Pode falar.
-Andei notando um carinho imenso sobre a nossa aluna,a Milla.
-Nossa,ela é adorável.Quero um dia ter uma filha assim.
-Então é casada?
-Bem,se você entende morar junto e se amar como casamento,sim.
-Entendo.Mas o que vim te questionar,é sobre esse teu interesse por ela.
-Os pais dela não estão muito confortáveis perante a minha atitude?
-Esta é a questão.Ela é órfã!
Primeiro fiquei muito surpresa e logo ela completou:
-Teria interesse de adotá-la?
Senti um turbilhão de emoções tomando conta de mim e meus olhos lagrimejaram.
-É uma decisão muito complexa,mas se depender de mim,ela já é a minha filha!Preciso primeiro conversar com o David.
Prometi que na próxima semana teria a resposta em mãos,para quem sabe adotá-la.
Foi só botar os pés em casa para ir logo contando a novidade.
Os olhos do David brilharam e ficou todo entusiasmado em conhecê-la.
Não sabia mais aonde esconder toda aquela alegria de poder ser mãe de uma garota tão especial.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Capítulo 22.

Após aquele dia maravilhoso com o David,criei a força necessária para juntar a Jessey e o Juan,eles se amavam e precisavam estar juntos,orgulho os matava,mais o amor não!
Foi simples convencê-la de ir até um flat o qual agora ele estara vivendo.
Resolvi deixá-los ali,quietos mesmo,uma hora eles romperiam o silêncio.
Fato que se comprovou após ouvir o telefone tocar insistentemente:
-Alô?
-Amiga!Muito obrigado,por tudo!
-Então,está tudo bem com vocês?
-Graças a você,sim!
-Nem precisa puxar o saco ouviu?-rimos.
Deixei os dois matarem as saudades e desliguei o telefone.
Liguei logo em seguida para conversar com o John,estava morrendo de saudades daquela bixa louca.
-John?
-Alissa,minha rainha!Como está?
-Poxa seu sumido,muito bem e você,morrendo de amores pelo teu bofe?
-Ah,tinha que citar o nome do infeliz?
-O que houve?
-Terminamos!Imagina,o cretino era casado!
-Nossa!Que horror John,sinto muito!
-Que nada loira,já to bem e com outro,qualquer dia te apresento.
-Ui!Quero só ver eim.
-Pode deixar.Loira,preciso ir para a academia,depois te dou algum sinal de vida viu?
-Acho bom mesmo eim purpurina.Beijos.
-Beijo amoreco.
Divertido falar com ele.Alto astral sempre bem evidente.
Me alegro bastante,aí me encho de coragem e vou procurar algo para fazer.
Um novo trabalho,quem sabe.
Nada muito cheio de frescura e longe das câmeras,por favor!
Uma modelo no auge da sua fama,consegue emprego fácil,por isso pude escolher.
Secretária?Balconista?
Optei por professora!
Tinha curso de inglês e gostava da língua.Uni o útil e o agradável.
O David me apoiou,assim logo de cara,o que me deixou bastante feliz.
Primeiro passo foi me adaptar a rotina,mas realmente gostei da idéia.

sábado, 26 de janeiro de 2008

Capítulo 21.

Voltei para casa e contei sobre a conversa de hoje a tarde para o David.Ele se surpreendeu e contou sobre seu dia também.
Ele tinha ido procurar algum emprego temporário e aproveitou para falar com o Juan,na esperança de haver uma reconciliação.
Nada aconteceu.
Terminamos a conversa e fizemos amor,como de costume.
No outro dia prometi falar com Jessey mas acabei deixando isso para eles mesmo resolverem,ela precisava do tempo que jurei manter com ela,pelo menos para pensar e se resolver.
Fiz bem,eu acho.
Eu e David tiramos o dia para nós,afinal era Domingo e ele tinha que aproveitar já que na Segunda ele começaria o novo emprego,coisa simples como ficar no computador o dia todo contabilizando as contas.
Ele se sairia bem,com certeza.
Resolvemos ir para a mesma praia em que o revi e ele me viu pela primeira vez.
Sentamos na areia sem nada que nos separasse da areia,sentir todas as vibrações que puderam nos ligar.
Foi mágico.
Nos entre olhamos e ficamos nisso por minutos que pareciam nunca ter fim,juro que passaria toda a minha vida olhando em seu horizonte pessoal.
Ele logo deu um riso todo tímido.
-Sabia que eu sempre quis ter uma covinha?-falei.
-E eu sempre quis te dizer que acho que te amava mesmo antes de te conhecer.
Dessa vez quem ficou tímida fui eu.
Mesmo todo esse tempo juntos eu me sentia como uma criança sendo acolhida por tuas palavras,tudo era renovadi e o sorriso valia mais que qualquer outra coisa.
-Acho que nem foi por acaso que te reencontrei aquele dia-falei,ainda com as maçãs do rosto coradas.
-Eu tenho certeza.Não iria esquecer da garota que ficava me secando aquele dia na praia.
-Não acredito que você percebeu!
-Quem não notaria a bela loira de pernas torneadas olhando e sorrindo bem na tua direção?
-Ah,acho que você está exagerando.-fiz um biquinho de pura manha.
-Então é assim?Vem aqui sua manhosa.
Me enxeu de beijos e carinhos,todos acompanhados de sussurros no ouvido com palavras que a minha memória já falha não me deixa recordar,só lembro que era sempre finalizados com Amo...
Momentos mágicos que só se vivendo para saber.
Em cada momento que vivia ao teu lado era perfeito e só quem viver um grande amor saberá do que estou falando,é,das tais borboletas no estômago.
Vimos o pôr-do-sol e voltamos para a nossa casa que também era em uma praia,mais calma como já havia mencionado.
Foi um dia dos quais desejo que a minha já velha memória,não esqueça jamais!

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

Capítulo 20.

Aos poucos fui me afastando de Jessey,ela precisava de um tempo sozinha,o mesmo tempo que ela havia me dado enquanto eu sofria desesperadamente pelo David.
Me fez bem,sei que faria bem a ela também,tomara.
Todo esse conflito e sofrimento me fez lembrar de coisas do meu passado,como o dia em que resolvemos fazer pizza na minha casa.
Chamei as garotas mais amigas e nos reunimos.Foi bastante divertido,mas passou,como tudo nessa nossa vida.
Uma das pessoas da qual eu jamais me esquecerei,será de Anastácia.
A gente era unha e carne,literalmente.
Nos fazia tão bem aquela amizade.Estávamos sempre juntas e nada nos separava.
Nada é tão tudo!
Uma simples coisa nos afastou,nos separou e nos fez simples colegas de final de tarde.
Final de tarde que se tornou,final de amizade.
Não por causa dela,e sim minha.
Fui esquecendo das amigas por causa de garotos,meus pais sempre me avisavam que seria inútil eu ficar ali me oferecendo daquele jeito e beijando todos que eu quisesse.
Mas sabe,a vontade era maior.
Eu era linda e tinha todos que queria,gostava de beijar,então para que parar?
Parar para que.
Não parei e sofri.
Perdi amigas e amigos e ganhei uma fama que não durou muito tempo,afinal eu me mandei antes que ela continuasse.
Mudar constantemente de endereço começou daí.
A primeira mudança foi de cidade e depois de estado.
Até virar modelo e chegar nos dias de hoje.
Abandonei tudo.Família,amigos,cidade,estado.
Depois minha família acabou se mudando para o mesmo estado que eu,mas isso demorou.
O tempo e a distância os decidiu mudar.
Creio que a saudade também,apesar de nunca terem admitido isso.
A Anastácia se afastou por causa de um beijo.
Acabei ficando com o namorado dela,coisa da qual sinto arrependimento até hoje.
Ela se afastou,tempos que não a vejo.
Acho mesmo que foi o destino,nesse mesmo dia de reflexão acabei esbarrando com uma ruiva cujo sorriso era impossível não perceber.
Anastácia.
De cara ela não me reconheceu,ou pelo menos fingiu não me ver,mas eu a reconheci.
Fiz uma cara de saudade e ela deu um belíssimo sorriso.
Não resiti e a abracei.
Ela disse baixinho:
-Senti saudades.
Não precisamos dizer mais nada.
Fomos tomar um café para jogar conversa fora e matar a saudade.
Não tocamos no assunto do passado,pelo menos nada sobre a traição nem muito menos o meu caráter passado.
Rimos bastante relembrando as coisas engraçadas que fazíamos e nos surpreendemos com o futuro,naquela hora presente,agora passado.
Foi emocionante saber que ela estava esperando gêmeos.
Um casal.
Também foi triste ouvir que seus pais haviam morrido.
Ficamos ali nesse papo durante a tarde toda.
Divertido,emocionante e triste.
Vontade de pedir desculpas por tudo e pedir pra ela nunca mais sumir daquele jeito.
O meu orgulho sempre foi maior que as vontades.
Fiquei na vontade mesmo.
Ela estava indo para São Paulo de novo,e eu ficaria por ali mesmo,esperando encontrar alguma velha nova lembrança do passado.
Em cada esquina podia haver uma surpresa tão boa quanto a daquele dia.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

Capítulo 19.

Resolvemos nos mudar denovo.
Para mim,essas mudanças já eram rotina.
Optamos por um lugar bem afastado de tudo e de todos,assim iríamos curtir um ao outro,sem medo de ser feliz.
Achamos uma casinha bastante confortável na beira de uma praia,não muito visitada nem conhecida.
O lugar mais parecido com o paraíso que achamos.
Ficamos ali,prometendo que tudo seria perfeito para nós dois.
As mudanças chegaram rápidamente e logo colocamos nossas coisinhas em lugar.
Estava tudo muito perfeito.
Víamos o pôr-do-sol todos os dias e todo sábado David me acordava com beijos para vermos juntos o nascer-do-sol.
Me sentia mimada e amada por um cara que mudou a minha vida.
Jessey nos ligava sempre,e passou a nos visitar pelo menos 1 vez por semana.
Judie estava crescendo.
Juan passou a trabalhar cada vez mais,e sua presença se tornava rara.
Logo Jessey me procurava,cansada de esperar pelo marido e com saudades do tempo em que ele era mais presente.
As primeiras brigas do casal foram surgindo.
Em uma delas Jessey foi parar lá em casa,chorando e com a Judie em seus braços.
Pobre Jessey,as coisas estava se complicando para os dois que durante muito tempo tentaram reconciliação,mas acabaram como qualquer casal moderno acaba,separação.
Jessey veio morar conosco e trouxe junto a Judie que mal entendia o que se passava por lá.
Nunca vi minha amiga chorar tanto,ela que sempre me aquentou sofrendo pelo David,agora seria a minha vez de tentar ajudá-la.
Nosso sussego já não era o mesmo.
Eu ajudava Jessey a cuidar da sua filha,enquanto David tentava falar com Juan,quem sabe uma volta.
Juan mantia-se grosso e seco,com a mesma idéia formada de tempos atrás,quando assinou o divórcio.
Jessey sofria,bastante e vivia se culpando por todo aquele transtorno em minha vida.
Eu e David não abalamos nosso relacionamento por isso,afinal nos amávamos.
Ela logo arrumou uma nova casa.
Eu sempre soube que não seria fácil,e sempre comentava com David sobre o casamento precoce,a filha e toda aquela responsabilidade para dois jovens.
Ela foi se acostumando com a vida de solteira.

domingo, 6 de janeiro de 2008

Capítulo 18.

Toda aquela alegria estava estampada no meu rosto.
Parecia que o conto de fadas poderia existir e fiquei daquele jeito,sem medo de ser feliz.
A primeira a saber da novidade e quem pode dividir toda aquela alegria comigo foi a Jessey.
De cara quando liguei para ela,foi bastante emocionante ouví-la gritando de tanta alegria.
-Estou tão feliz por você amiga,nem sabe o quanto!
-Eu também estou muito feliz Jessey,muito mesmo!
-E quando vocês vem em casa para eu dar uma olhada no mais novo casal carioca?
-Quando você quiser bobinha!
Rimos e marcamos algo para fazer no final de semana.
Depois liguei correndo para o John.
O gritinho estérico e toda aquela alegria foi contagiante.
Me senti ganhando a copa do mundo,era tanta felicidade que não cabia em palavras.
David era o mesmo de antes,até mais carinhoso e cheio de vontade de viver um amor que agora era só nosso.
No fim de semana saímos,eu,David,Jessey,Juan,Judie e claro,John e o seu bofe,Mathew.
Eles puderem finalmente conhecer o cara que andou mexendo comigo durante todos esses anos.
Jessey logo fez um comentário bastante hilário.
-Que gato amiga!
Claro que isso ficou em sigilo nosso.
Até o John ficou bem animadinho com toda essa história de conhecê-lo,fez um comentário semelhante ao de Jessey.
Fomos beber e rir um pouco.
David adorou a Judie,e parecia querer me dizer o quanto queria um filho.
Coisa bem adiantada para nós dois.
Mas gostei de ver o carinho com que ele olhava para ela.
David ficou contando um pouco da sua vida,e de todo esforço que fez para achar a mulher da vida dele denovo,e criar toda a coragem necessária.
Em poucas palavras ele demonstrava o amor que sentia por mim,desde o modo com que falava de mim,até os olhares.
Ele sempre me tratou como se eu fosse a sua rainha,me mimando sempre.
Até a sua risada era perfeita e me dava a irresistível sensação de querer ficar com ele para sempre!

domingo, 30 de dezembro de 2007

Capítulo 17.

6 anos parece tempo demais,talvez perdido,mas tempo esse que mantém a esperança de um dia melhor.
Um dia com você,ou quem sabe só te ver,por entre os raios do sol de um fim de tarde.
Olhar teus olhos e sentir que pode voltar a ouvir o clichê "eu te amo".
O pulsar do coração frente a frente novamente,seguido de uma sensação de puro amor misturado com o medo de nunca mais sentir aquilo.
Parecia até uma previsão quando esse medo se tornou real,ele se perdeu por detrás de uma distância que achei não existir perante ao nosso amor.
Distante,telefone calado,desculpa desfeita e dor.
Não digo que perdi meus 6 anos,mas sei que deixei de fazer coisas que me farão falta,quando me recordar da quantidade de lágrimas que se perdeu por entre meu travesseiro nas noites de lua cheia.
Me fazendo falta,mas com esperança de você voltar.
Chovia forte,Rio de Janeiro com chuva,não é Rio de Janeiro.
Praias vazias,pessoas mal-humoradas,enfim nada cotidiano.
Liguei o rádio para ouvir um pouco de mpb,faz bem aos ouvidos e a alma.
O telefone falou.
-Alô?
-Bom dia!Gostaria de falar com Alissa.
-Sou eu,quem é?
-Alissa!É você?
-Sim.
-Meu Deus,eu nem sei por onde começar,eu preciso te ver.
O sotaque começou a fazer a diferença,fiquei bastante nervosa mas não quis manter a voz trêmula.Me contive e continuei a conversa.
-Desculpe,mas quem é?
-David!
Foi ouvir aquele nome que um calafrio gostoso começou a correr por entre meu corpo,a começar pela barriga.Faziam 6 anos que eu não sentia mais borboletas no estômago.
-David?
-Alissa,nós precisamos conversar!
-Por onde você esteve durante todo esse tempo?
-Te procurando!
-Você tinha meu telefone.
-Eu tinha uma namorada também.
Ao ouvir aquilo fiquei pasma e resolvi sentar,não ficou clara essa afirmação.
-Como assim,uma namorada?
-Eu nunca te disse nada sobre isso,mas por telefone eu não vou explicar nada,eu preciso te ver!
-Me ver?
-É!
Estava muito confusa,furiosa e com medo!Mas a vontade de vê-lo foi muito maior,acabei cedendo.
-Quando?
-Hoje!
-Aonde?
-Posso ir até aí?
-Pode.
-Continua morando no mesmo lugar?
-Não.Marca o endereço novo,por favor.
-Pode falar...
Terminamos a breve conversa.
Ele passaria em casa ás 2 horas.
Eu tinha meia hora para arrumar tudo e claro me arrumar.
De um jeito ou de outro eu estava louca para vê-lo.
A campainha tocou,eu não podia demonstrar nervosismo,mas não contive as lágrimas.
Foi só abrir a porta para abracá-lo com toda força!
Sentir teu calor,tua voz me sussurrando palavras contidas de saudade e a vontade de me beijar novamente!
Me contive,precisava entender essa história.
Sentamos e ele começou.
-Quando te conheci,foi algo tão forte que eu esqueci de tudo,inclusive da minha namorada.Eu namorava durante 3 anos,gostava de estar com ela,me fazia bem,mas você chegou e bagunçou tudo!O que vivemos em 1 semana valeu pelos anos de namoro que ela me proporcionou.Não quero mais ela,durante esses 6 anos fugi do mundo e de tudo,terminei com ela e tentei criar coragem para te procurar e te dizer tudo isso.Resolvi fazer isso,só agora,mas não me julgue por isso e se não quiser entender tudo bem,mas saiba que eu te amo como nunca amei ninguém,quero ficar com você para sempre!
Todo aquele discurso embalado pelas lágrimas de David me fizeram entender que aquilo não foi uma mentira,mas sim amor e arrependimento.
Não disse nada.Apenas segurei em sua mão e com a delicadeza necessária,o beijei.
Após 6 anos pude sentir o amor denovo juntando nossas almas.
Aquela noite ficamos juntos,tocamos as estrelas e juntos selamos um amor eterno.

terça-feira, 18 de dezembro de 2007

Capítulo 16.

Ela parecia estar gostando da idéia de casamento.
Os dois se entendiam muito bem,era lindo ver o carinho entre eles.
Comecei a reparar no verdadeiro amor,que vencia a cada dia uma barreira diferente.
Jessey era rica,modelo sempre ganhou bem,ainda mais internacional,por isso não foi preocupação a eles o dinheiro.
Juan não parou de trabalhar,empresário de uma multinacional.
Jessey não tinha do que reclamar.
Ás vezes saíamos parar comprar as roupinhas do bebê,que mais pra frente descobriu-se o sexo: feminino!
Eu sempre a enchia de presentes e muitos elogios.
Ela era linda até grávida!
Aquela alegria toda não me fazia esquecer do meu amor de verão.
David tinha marcado demais a minha vida,e a tua ausência me perturbava!
É,6 anos haviam passados desde a nossa despedida no aeroporto mais o sentimento permanecia aceso!
Os 9 meses passaram bem rápidos.
Foi muito emocionante ver Juan chorar quando viu a filha.
Ela era linda!
Olhos verdes da mãe,cabelos loiros do pai.
Fui madrinha da garotinha mais linda que eu já vi.
Me deram a honra de escolher o nome do bebê,talvez como um consolo por saberem do meu estado emocional nestes anos.
Pensei muito antes de decidir,acabei optando por Judie.
Eles adoraram a idéia.
Era meio que uma mistura de Juan com Jessey,tinha ficado bem legal mesmo.
Acabei me afastando do casal,e mudei de apartamento.
Ainda trabalhava como modelo e tinha o préstigio das pessoas na rua,isso era bom.
Sempre que podia visitava John e Mathew.
Depois dava uma passadinha na casa da Jessey,para vê-la e dar aquele beijo na Judie.
Foi caindo na rotina de novo,mais aí as coisas mudaram de rumo,seria coincidência demais ou destino?

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

Capítulo 15.

Procurei encontrar em outros caras o mesmo brilho no olhar,sotaque,gosto pela vida.
Não beijei mais nenhum outro.
Me mantive guardada,sabe aquele história de que a esperança é a última que morre?
Então,estava nessa ainda.
O sucesso realmente só crescia e me fez mulher madura,crescida e com objetivos na vida.
Maior deles continuava sendo me casar e ter filhos.
Dois filhos.
Modelo grávida não estava em alta,mas o futuro ainda seria muito generoso.
Logo minhas moradas foram se diversificando.
Países diversos,com culturas bastante diversificadas.
Foram anos de trabalho bastante divertidos,mas cá entre nós,nada como o Brasil.
Clima favorável,comida maravilhosa e os homens brasileiros,sempre muito charmosos.
Nenhum país conseguiu chegar perto do Brasil,muito perfeito isso aqui!
Com o tempo passei a trabalhar cada vez menos,e acabamos voltando ao Brasil.
Jessey e eu ficamos com um apartamento para nós duas,ia ser divertido.
John virou nosso visinho de baixo,junto com o seu inseparável Mathew.
Jessey acabou trazendo um italiano que conhecera em suas férias para morar com a gente.
Acabei sentindo uma imensa sensação de estar sobrando por alí.
Comprei um outro apartamento,do lado dela.
Melhor assim.
Gosta da minha amiga solteira,foi a primeira frase que me veio a cabeça após ela me contar com todas as letras e impolgação de um atleta com ouro olímpico
-Nós estamos noivos!
Conversei com ela,expliquei que as coisas não eram assim,tão rápidas.
Namoro,depois noivado.
Ela nem me deu ouvidos,apaixonada e cega!
Só ela não percebia que estava se adiantando.
Foi quando a bomba realmente estourou: Casamento!
De princípio eu iria descordar,mas aí veio a razão
-Eu estou grávida Alissa!
Jessey,23 anos,grávida!
Ela tinha toda uma carreira pela frente,fama,sucesso e uma vida também!
Parou de trabalhar por motivos óbvios.
Era alvo de todo jornal de fofocas,e logo marcaram a data do casamento.
Juan,o pai da criança,se manteve muito maduro e assumiu o filho.
Se casaram sem muito luxo,nem lua-de-mel.
Tudo muito simples,e rápido.
Vida de casado,nunca imaginei Jessey casando.
Uma sensação horrivel!
Juro,até pensei em impedir tudo isso!
Mas já era tarde,ter um filho,é muita responsabilidade!

domingo, 9 de dezembro de 2007

Capítulo 14.

E foi aí que voltei a Nova York.
Lágrimas de despedida,o meu homem chorando!
Durante o vôo a incrível sensação de que jamais o veria.
Todas as lembranças contornando meu coração e a razão.
Senti vontade de largar tudo por ele,aquele que me fez tão bem!
Mas eu era fraca e não consegui fazer o que mais desejara.
Rever a Jessey foi muito divertido,cheia de histórias pra contar.
O John era pura purpurina,como ele mesmo se descreveu,aquele clima descontraído me ajudou a entender que as coisas tinham de ser pela razão.
Ele me ligou nas 2 primeiras semanas.
Depois,o telefone se calou.
Ele sumiu,não me deu notícias,não atendia o celular e tentei esquece-lo.
Tentei.
Tudo na memória,tudo!
Ele tinha me feito mulher,me amou a cada pôr-do-sol,fez parte da minha vida!
Tudo perdido,como também o tempo.
Iludida e sem amor.
Sem ele!
Custei a entender que tudo era passado.
Não contei nada para Jessey,guardar para mim era o melhor remédio.
Também mantive sigilo com o John.
Ele era só mais um.
Um ex cara legal que ficou comigo.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

Capítulo 13.

Começamos com a minha lista de sonhos.
-Você acha mesmo necessário colocar isso?É tão bobo!
-É claro que precisa.Vamos lá: 1°-Dormir olhando para o céu,2°-Beijar na chuva,3°-Ouvir o 'eu te amo' mais sincero de todos,4°-Ver o pôr-do-sol no verão,5°-Surfar,6°-Ter uma música que lembre da pessoa amada,para ouvir 1,000 vezes seguidas,7°-Ter um apelido que só vocês dois entendam.
Não eram somente 7 sonhos,preferi colocar os principais e possíveis.
7 é um número importante,grande simbologia.
A cada sonho que dizia, um olhar atento seguido de um por que ,que sempre era imaginário,mas que eu sabia que existia.
Muito atento a essas minhas dedicações.Eram os 7 básicos sonhos que buscava realização.
Começar com o sétimo.
Como ele mesmo disse,de trás pra frente dá sorte.
O apelido fluiu naturalmente,algo espontâneo.
Borboleta.
Não me pergunte porque!
O sexto também foi uma realização espontânea.Acabamos optando pela musica que tocava quando o revi na praia.
O quinto foi o mais difícil,para mim.Nunca tinha surfado.
Foi algo totalmente divertido e nada espontâneo.
Consegui por alguns segundos me manter em pé.
O quarto foi o mais mágico.É raro as pessoas que param e olham o pôr-do-sol,pois isso devia ser rotina.
Após o belo espetáculo acabamos fazendo um lual,só nosso.
Terceiro e o mais complexo.Dizer que ama,só da boca pra fora,todos dizem.
Queria era sentir vibração naquele 'eu te amo'.
Foi quando do nada ele vira e me diz : 'eu te amo'
Nada mais mágico e especial!
Senti uma vibração em cada sussurrar daquelas palavras doces.
O beijo na chuva com certeza foi a realização mais gostosa da lista!
Fato que será inesquecível!
Olhar o céu,depois durmir.
Só para fechar a lista de sonhos concretizados.
Fora a última lembrança daquele verão,inesquecível mais passado!

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

Capítulo 12.

Foi tudo muito rápido,achei que não fosse dar certo.
Ingênuidade a minha.
Nunca achei que essas férias iriam me fazer tão bem,descobrir sentimentos que jamais achei que pudessem existir.
Ele me fazia bem,começava a ver a vida com um outro ar.
Se sentir bela e acreditar em si mesma.
Não depender de ninguém para ser feliz.Mas aquele sorriso me faria falta.
Foi quando me caiu a ficha: em duas semana voltaria para Nova York.
Primeiro resolvi contá-lo.
Ele sempre me surpreendia.
-Mas então vamos aproveitar essas duas semanas,fazendo tudo o que você sempre sonhou e se não existir tempo suficiente para essa realização,que venham as próximas férias!
-Não vai me deixar?
-Encontrei uma mulher que me completava.O brilho dos teus olhos me faz querer sempre te amar.
Nunca tinha ouvido um homem dizer algo tão lindo.E eu sentia que era a verdade.Tuas mãos fizeram companhia as minhas,pela primeira vez pude sentir o calor dos teus pulsos e de perto sentir um frio na barriga inesquecível.
Devagar uma de suas mãos deslizou pelo meu pescoço e parou no queixo.
Ele o levantou delicadamente em direção a seu olhar.
Pudemos ficar um olhando no horizonte pessoal do outro,sentindo a respiração ofegante e presenciar o vermelhidão das maçãs do rosto.
O momento foi eternizado,com um beijo.
Delicado e em um compasso perfeito.
Seus movimentos guiavam os meus e logo estávamos no paraíso.
Ao final voltamos a mesma posição inicial,olhar ao horizonte.
Sua mão voltou a se encaixar a minha e ficamos ali,querendo mais.
O melhor beijo em 17 anos.
Talvez não o mais demorado,mas com certeza o mais sincero.
Comecei a acreditar realmente que o amor poderia existir e mudar destinos.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

Capítulo 11.

Idas frequentes à praia.Tudo muito lindo.
Ele era atencioso,típica cena de uma bela amizade.
Não estava eu confundindo isso tudo?
Achei que a negação fosse me comprometer em relação as atitudes.Resolvi esquecer.
-Me diz o que você acha sobre o amor?-seus olhos brilhavam.
-Ah!O amor é uma caixinha de surpresas,ora a gente ri,ora a gente chora.
-Só isso?-parecia cada vez mais interessado a respeito da minha opinião.
-Não né!Vai além disso,e só quando se ama se pode responder isso.
-Você ama?
-Amo a vida!
-Só isso?-dessa vez percebi que o que ele realmente queria era ouvir de minha boca palavras sobre como o vejo.
-E..
-E?
-Amei ter te conhecido!
Nos olhamos fixamente,sem nem a respiração atrapalhar.Ele sorriu.
Aquele sorriso era algo que jamais teria interpretação nenhuma!
Era um sorriso tão doce e acolhedor que me fazia sentir segura.
Ficamos naquilo.
O outro dia foi a mesma nostalgia.Um clima diferente se implantava.
Passou a reparar em minhas maiores qualidades,como ele mesmo classificava.
Coisas em que eu nunca tinha reparado.
Adorava quando eu falava com sotaque paulista as diferenças muito notáveis com as dos cariocas.
Dizia que quando eu roía unhas ficava linda,e mesmo na tpm conseguia me agradar.
Acabamos entendendo que o sentimento não era mais uma amizade.Mudara.Sem por que nem para que.
As coisas realmente começaram a tomar um rumo certo quando estava na minha última semana de férias.
Fato que me impediu de esquecer algo muito marcante em minha vida: Um novo amor.

sábado, 1 de dezembro de 2007

Capítulo 10.

Achei que guardar aquela imagem,Lizzie acabada e infeliz,só iria fazer mal a mim mesma.
Esquecer.
Tirar o dia para passear na praia,sozinha e acompanhada ao mesmo tempo.
O vento.O mar.O sol.
Companhia que não falava demais,nem mentia,muito menos te perturbava.
Tomar sol,ouvir uma música relaxante e observar o loiro bastante lindo que acabara de chegar.
Resolvi ir até perto do mar.Olhar não mata ninguém.
Realmente era bastante lindo,daqueles com estilo que deixa qualquer mulher enlouquecida.
Abdomem bastante definido.Cabelos queimados de sol e da água do mar.Sotaque carioca divertido e imperceptível.Fiquei ali,mergulhando no azul dos teus olhos e ouvindo as conversas que trocava com um amigo.
Nada muito provocante,somente olhares que diziam mais que qualquer outra forma de expressão.
Aos poucos acabei de involvendo e deixando minha curiosidade falar mais alto.Me aproximei.
A coragem desce por água abaixo.
Senti o cheiro da gasolina e foi o único rastro relevante que pude guardar daquele carioca.
Só depois entendi o sentido daquela frase:
'Não deixe para amanhã o que se pode fazer hoje.'
Nem um nome,idade,cidade.
Podia ser de outro país.
Mais velho.
Mais novo.
Ter namorada.
Ser solteiro.
Gay.
Dúvidas,e a única coisa que soubera,era sua paixão pelo surf que acabou sendo revelada pelo tom da pele e cabelos.Dourados.
Sempre me dizam que tudo o que eu realmente queria,conseguia.Mesmo o impossível.
Iria tentar encontrá-lo.Havia me chamado a atenção.
Minha situação,solteira,17 anos,bela,e rica.
Sem tempo para amores no trabalho.Mas não havia nenhuma regra quanto arrumar alguém nas férias não é mesmo?
Tomara.
E fiquei assim por dias.Qualquer cara loiro e boa pinta,já me era motivo para olhar atentamente,quem dera se fosse o mesmo daquele dia na praia.
Lual.
Sempre adorei esse tipo de programas.Não iria perder um por nada,se soubesse de algum.
Passear na praia à noite é tão gostoso,ainda mais quando é uma noite de verão e bastante estrelada.
Tipo aquela em que o revi.
Encontrei uma roupa confortável e fui caminhando até a praia.
7 horas e ainda era dia.Horário de verão.
Perfeita ocasião.
Senti perto do mar pra ouvir o barulho das ondas batendo no coral,sensação indescritível!
Misturou-se um barulho,que de tão agradável se tornou um som.
Relaxante.
Idêntifiquei,era um violão.
Música calma e sem intérprete.
Caminhei à procurar o dono do som.
Era ele.Finalmente reencontrei.
Reação de correr e dizer que durante dias o procurei.
Imaginei que iria me achar uma louca.
Cheguei devagar.
-Adorei o teu som.-totalmente tímida.
-Nossa,me desculpe se atrapalhei alguma coisa.-atencioso desde o olhar.
-Não,não.Eu adorei!Continua por favor,me desculpa se eu te atrapalhei.
-Gostou mesmo?
-Toca para mim?!
Não precisamos de mais palavras.Ficamos ali rindo um da cara do outro e curtindo o som que parecia vim do céu.
David era seu nome.Morava sozinho,perto de Ipanema.
Família havia morrido.Assim como a minha.
Nem gay,nem comprometido.Solteiro e feliz.
Contei também sobre minha vida e ficamos ali parados de papo para o ar e com o violão,nossa trilha sonora.
Me acompanhou até meu apartamento e nos despedimos com um abraço.
Amigos.
As idas a praia se tornaram presentes e a cada dia que nos víamos,parecia que a falta de assunto nos afastaria.Mera tolisse.
Tinhámos o desafio de compor novos papos a cada dia.Um melhor que o outro.
Descobrimos assim,que tinhamos muita coisa em comum.

sexta-feira, 30 de novembro de 2007

Capítulo 9.

Cheguei ao Brasil.
Saudades mortas após ouvir o bom e velho português.Nunca desejei tanto comer arroz e feijão durante toda a minha vida!
Deixar tudo para as férias: saudades,desejos e quem sabe até um amor de verão,porque não.
Destino: Rio de Janeiro.Grande novidade.
Visitar parentes no interior e depois partir para a adorável e sempre Cidade Maravilhosa.
Hotel?
Quem precisa disso quando se tem um apê,de frente para a praia,orla sim senhor!
Descanso merecido,afinal ser modelo não significa vida boa.Nem ruim.Muito pelo contrário,possuia coisas que antes nunca imaginei ter um dia.
Buscar todos os desejos contidos em uma única coisa não era tarefa das mais fáceis.
Primeiro destino:Bar de Luxuos!
A boa e velha pinga.Saudade.
Dessa vez não encontrei nenhum cara legal que acabasse me levando pra cama me prometendo o céu e a terra e sumindo dias depois.
Encontrei por um acaso Lizzie.É,ela mesma.
Solteira e com uma pésima aparencia.Puxamos um papo,meio sem graça,mais o suficiente para entender que o destino havia sido cruel com ela.
Sofreu demais estando com Ducke,que também a prometeu o céu e a terra.
Sumindo no dia seguinte.
Pura faxada para tentar roubar alguma fama,e dinheiro.
Ah sim,Lizzie era dona de muito dinheiro.
Era,pretérito bem definido!
Ducke a roubou,ela vive de favores.
Desde carros,até as roupas.
Com um trabalho medílcre conseguiu comprar uma pequena casa,nada muito luxuoso.
Apenas o necessário.
Triste destino.Aproveitei e contei a ela toda generosidade que a vida havia tido comigo.
Ela não ficou surpresa,as notícias por aqui corriam sobre a minha fama.
O que acabou me surpreendendo.
Nos despedimos com um 'boa sorte,amiga'.
Um abraço e nada mais.
Ficou retido aquele sentimento,uma angústia e vontade de fazer algo por ela.
Inútil.